A cada 10 decibéis perdidos de audição, risco de demência cresce 27%

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A cada 10 decibéis perdidos de audição, risco de demência cresce 27%
Pessoas idosas com problemas de surdez têm mais chances de desenvolver demência, afirma uma pesquisa publicada no periódico Archives of Neurology por cientistas da Faculdade de Medicina Johns Hopkins, dos Estados Unidos. De acordo com o estudo, a cada dez decibéis perdidos de audição, os riscos de demência aumentam 27%.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados médicos de 639 pessoas com idades variando entre 36 e 90 anos – nenhuma delas sofria de demência. Os participantes foram inicialmente submetidos, de 1990 a 1994, a avaliações mental e auditiva. Na fase seguinte, que se estendeu até 2008, foi realizado novo acompanhamento, em busca de sinais de demência.
Do total de voluntários, 125 estavam afetados por leve deficiência auditiva, 53 estavam moderadamente surdos e seis padeciam de uma importante perda auditiva. Além disso, foram diagnosticados 58 casos de demência – 37 deles com Alzheimer. Os especialistas estabeleceram, então, uma correlação entre envelhecimento, perda da audição e aumento do risco de senilidade.
Entre os participantes de 60 anos ou mais, 36,4% dos riscos de desenvolver demência estavam vinculados à perda da audição, indica a pesquisa. Já o risco de surgimento de Alzheimer aumenta 20% a cada dez decibéis de perda de capacidade auditiva.
Os resultados não provam que a perda de audição é a causa da demência. Mas, segundo os médicos, sugerem que colocando um aparelho auditivo precocemente, assim quando surgem as primeiras dificuldades em ouvir e entender, podem impedir o aparecimento de doenças como o Alzheimer.
Os sentidos, audição, visão e equilíbrio são canais de comunicação do ambiente com o cérebro. “Quando a pessoa para de interagir com o meio, reprime o cérebro e passa a viver só com aquilo que já está lá dentro, não participando mais do que acontece a sua volta”, ressalta Dra. Vanessa Fonseca Gardini,fonoaudióloga.
A demência e depressão não são causadas por surdez, mas tem nela grande importância e pode ser bastante significativa na vida dos idosos. “A depressão na terceira idade ocorre principalmente, por causa da privação da auditiva. Pois, gera um isolamento social devastador, além da diminuição extremamente significativa das atividades cerebrais, facilitando, por exemplo, o Mal de Alzheimer”, enfatiza a Dra. Vanessa.
Os cuidados com o aparelho auditivo e as consultas periódicas, para verificar a saúde do ouvido, podem ser importantes aliados na prevenção dessas doenças. “O aparelho impede ou retarda o aparecimento de doenças, pois, mantém o idoso participando, vivendo e sendo feliz”, orienta a fonoaudióloga Vanessa Gardini do Centro Auditivo Pró-Ouvir SIEMENS.
Quando a surdez se agrava é necessário reprogramar ou até mesmo trocar o aparelho. Até secreções ou cera no ouvido podem obstruir o microfone. “Por isso, é importante o tratamento de gripe, infecção ou alergia para impedir a produção. Fazer consultas periódicas ao otorrinolaringologista e à empresa que forneceu o aparelho, para limpeza, troca de pilhas ou de molde, são fundamentais”, alerta a especialista.
CAUSAS E TRATAMENTOS
A surdez do idoso é chamada de presbiacusia e se caracteriza como consequência normal e fisiológica do envelhecimento de todos os componentes do sistema auditivo, que vão da cóclea – órgão sensitivo da audição -, até ao cérebro. “A audição vai desde a capacidade de perceber a presença dos sons, filtrá-los por quantidade e qualidade, até conduzi-los essas informações ao cérebro, reconhecê-los, associar uns aos outros e finalmente dar significado a eles”, afirma a Dra. Vanessa.
De acordo com fonoaudióloga Vanessa Gardini do Centro Auditivo Pró-Ouvir SIEMENS, a privação sensorial auditiva deixa sequelas, por isso é fundamental trabalhar a mente. A família do idoso deve incentivá-lo a continuar fazendo as atividades do dia a dia e sempre convidá-lo a participar das conversas e rotina da casa, e principalmente, se precisar do aparelho auditivo, não hesite em testar um, ressalta a Dra. Vanessa.

 

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